14 de nov de 2011

A brutalidade continua!

"O powerviolence está morto!". Apesar das palavras de Eric Wood decretarem o óbito do powerviolence, começamos a conhecer cada vez mais bandas novas (de 2006 em diante) de powerviolence, muitas delas na mesma pegada violenta e pesada de bandas veteranas como Crossed Out, Neanderthal, No Comment, Spazz e Man Is The Bastard. Bom, se o powerviolence está morto ou não, pouco faz diferença, o que importa é que ainda existem pessoas que continuam fazendo música rápida e ainda mais pessoas que ouvem este tipo de música, afinal, também fazemos parte disso!

Assim, houve a idéia da criação deste blog, para divulgarmos as tantas bandas que andam surgindo mundo afora tocando música rápida, ou se preferir: anti-música. Não nos prenderemos em bandas novas ou antigas, aqui será postado powerviolence, sem nenhuma separação de "subgênero" ou qualquer coisa assim.

E se você por um acaso não saiba o que é powerviolence, abaixo reproduzo um texto bem esclarecedor traduzido e adaptado pelo Robinho (guitarrista/vocalista do Elasticdeath), sobre esse estilo musical (ou seria anti-musical?) que tanto admiramos:

O que é isso? PowerViolence... 
Nem precisamos ler sobre o estilo para poder defini-lo, não é? Pra isso temos nossos belos ouvidos. Muitas variações de tempo, passando por partes arrastadas (sludge), blast-beats, vocais urrados, músicas curtas. Surgiu praticamente no final dos anos 80, na Califórnia, EUA.

Para um entendimento mais profundo sobre o que diabos é powerviolence, quando esse nome foi mencionado, as bandas, vou colocar aqui alguns textos (traduzidos por mim) escritos por quem realmente presenciou a ascensão do Powerviolence.

Vamos lá!

*Textos extraídos de "An oral history of powerviolence. Awesome interviews".


Tradução e adaptação: Robinho, originalmente publicado em seu blog, Mutante Racional
 
ONDE ESTÁ A UNIÃO?
Virtualmente, todos citam o INFEST, de Valência, CA, como sendo a influência primária no som que se tornaria conhecido por power violence. O INFEST fundiu o hardcore youth-crew da época (1986) e o proto-grind fastcore da banda SIEGE, coisas do IMPACT UNIT, PANDEMONIUM (da Holanda, 1981-1986) e THE NEOS, e isso se transformou numa explosão sonora inquestionávelmente curta e violenta! Durante o INFEST, o guitarrista Matt Domino começou a tocar com Eric Wood (Pissed Happy Children) na banda NEANDERTHAL, que citou pela primeira vez o termo "power violence". 

Eric Wood (PHC, Neanderthal, Man Is the Bastard, Bastard Noise):  “Morando no sul da Califórnia, eu tive sorte de ver o INFEST tocar várias vezes. Eles eram muito foda! A primeira demo tinha uma qualidade sonora primitiva, mas você podia sentir que tudo estava ali, a emoção e a velocidade. Eram uma grande banda e todos os amavam! Uma pena que ela acabou!”

Algumas partes do 7" 'fighting music' do NEANDERTHAL pegaram os tempos e os durações dos sons do Grindcore ("built for brutality", 16 segundos), mas sem as influências Metálicas óbvias das bandas Grind da Earache. As partes rápidas devem muito ao hardcore punk, enquanto o metal influenciou as partes arrastadas e pesadas, e também partes progressivas.

Chris Dodge (Spazz, Despise You, Slap a Ham Records): “Eu vi o INFEST pela primeira vez em 1988. Ninguém sabia quem eles eram e eu acho que muita gente ficou confusa. Eles eram mais sérios e rápidos que muitas bandas, mesmo em 1988. Eu realmente gostava deles, e catei a demo logo depois.”
Chris Dodge, antigamente tocava nos "punks engraçados" do Stikky, em Berkeley, começou um selo DIY chamado SLAP-A-HAM, depois de sair da banda de hardcore melódico NO USE FOR A NAME, em 1989. Discos dos MELVINS e FU MANCHU estavam entre os primeiros lançamentos da Slap-A-Ham, junto com PISSED HAPPY CHILDREN e NEANDERTHAL do Eric Wood. Logo depois, Slap-A-Ham estava lançando discos de quase todas as bandas associadas ao "florescer" do power violence.

Evan Garner (Burned Up Bled Dry): “Eu acho que o power violence representou o lado DIY (faça você mesmo) do grindcore, bandas como nós que cresceram ouvindo Black Flag, D.R.I. antigo, C.O.C. antigo, coisas do tipo, enquanto o Grindcore representou uma lado mais death metal, o lado NAPALM DEATH - não que o "Scum" não seja um dos meus albuns preferidos! É mais uma parada punk do que uma metal: shows em porões, ética DIY, poucos mas perfeitos discos.”

Eric Wood:  “O "Kubby Hole" em Pomona, CA, onde o NEANDERTHAL ensaiava, foi o lugar onde "power violence" foi dito pela primeira vez, no final de 89. Devo dar todos os créditos a Matt Domino. Nós estávamos falando algo do tipo, "Precisamos entrar com nossa própria parada, Não queremos ser agrupados no hardcore, punk, nenhum outro gênero. Queríamos aparecer com nossa própria descrição do nosso som, e do nada Matt Domino disse "fuckin' power violence" [ficaraia mais ou menos assim dizendo em português "POWER VIOLENCE, PORRA!"] E então ficou assim "west coast power violence" (power violence da costa oeste). Tentamos dar um senso de humor, tipo "nossa localização geográfica é melhor que a sua", e também passar uma imagem bem séria e brutal.”

NEANDERTHAL por fim se transformou no MAN IS THE BASTARD, um conglomerado massivo de múltiplos baixistas e vocalistas, coisas eletrônicas, imageme slogans iconográficos, e uma plataforma radical pró-animal, pró-natureza e pró-fêmea.
"H.S.M.P." ("Hispanic small man power"), do split com a banda AUNT MARY, recontou os eventos do primeiro show do MAN IS THE BASTARD, e a primeira vez em que foi dito "power violence" como sendo um movimento.

Eric Wood: “Naquela noite, havia muita besteira sendo falada e muitas brigas em uma área do público. Esse pequeno homem hispânico, um cara Ranchero [expressão que americanos usam para homens hispânicos, de fazendas, ranchos, tipo um caipira] estava no bar, todo tranquilo, se levantou a foi até a microfone (não sei como ele conseguiu pegar o microfone, mas enfim) e disse "Por favor! Por favor! Todos devemos ser amigos! Ele entrou dentro desse clima violento em uma tentativa de acalmar a todos, e realmente conseguiu. Ele conseguiu quebrar o clima tenso no show sendo um estranho se jogando no meio de um grupo estrangeiro e espalhando boas maneiras. Quando (Aaron) Kenyon viu isso, ele surtou! Nisso, Kenyon citou o quinteto première Power Violence que dava forma ao movimento: CROSSED OUT, NO COMMENT, MANPIG, CAPITALIST CASUALTIES, MAN IS THE BASTARD. Essas eram as bandas que existiam e que eram power violence.” [veja que o Capitalist Casualties ainda existe!]

PORRA! VAMOS MATAR TODO MUNDO

Durante o começo dos anos 90, novos selos como SIX WEEKS, PESSIMIZER e SOUND POLLUTION se juntaram a SLAP-A-HAM nos lançamentos de bandas que eram inspiradas pela primeira onda do power violence, incluindo a própria contribuição do Chris Dodge, SPAZZ. Slap-A-Ham lançou vários clássicos do gênero, incluindo o magnífico 7" 'downsided' do NO COMMENT, o verdadeiramente bizzarro "Drome Triler Of Puzzle Zoo People do GASP, e as coletâneas"Bllleeeeaaauuurr-rrgghhh!" que espremeram mais de 70 bandas em um único 7".
O primeiro das seis edições anuais do festival FIESTA GRANDE (na Rua Gilman, 924, em Berkeley-CA) se deu no dia 2 de Janeiro de 1993, contando com ASSÜCK, MAN IS THE BASTARD, NO COMMENT, CROSSED OUT, CAPITALIST CASUALTIES e PLUTOCRACY. As subsequentes escalações de bandas incluíam Grindcore (PHOBIA, DISCORDANCE AXIS) e Sludge (CAVITY, NOORGRUSH), mas sempre rolavam bandas de Power Violence. MAN IS THE BASTARD tocou nos primeiros quatro eventos; CAPITALIST CASUALTIES tocou em todos.

Chris Dodge: “A maioria das bandas de Power Violence não tinham muitos locais pra tocar e costumavam ficar de fora de muitos outros shows punk. Acho que O CAPITALIST CASUALTIES tocou com o Green Day algumas vezes, e isso te dá uma idéia de como era o clima da cena punk daquele tempo. ASSÜCK estava em turnê e Ken Saunderson estava reservando o Gilman naquela época. Eu estava falando com ele sobre arrumar algumas bandas power violence locais pra tocar com eles, e acho que foi o Ken a pessoa que sugeriu em fazer uma amostra das coisas da Slap-A-Ham. Foi a primeira vez que estas bandas tocaram todas juntas, e elas estavam finalmente criando sua própria cena.”

Chris Dodge: “Eu estava querendo começar uma outra banda thrash como um louco, mas não conhecia ninguém que estava livre pra começar uma, isso até depois do primeiro Fiesta Grande. Max Ward do PLUTOCRACY citou uma banda de fastcore que ele estava começando junto com o Dan Bolleri do SHEEP SQUEEZE, e disse the eles precisavam de um baixista. Max e Dan já tinham feito 10 sons. então nós ensaiamos eles uma vez, gravamos, e lançamos como nosso primeiro 7". Um pouco prematuro, mas... A banda inicialmente se chamava GASH, mas decidimos mudar o nome. Eu sugeri SPASM, mas já havia uma banda na costa leste com esse nome, então sugeri SPAZZ, e combinou.”
SPAZZ era tão brutal quanto qualquer outra das outras bandas de Power Violence, mas ao contrário das políticas do MAN IS THE BASTARD ou do ódio pessoal do CROSSED OUT, eles encheram seus discos com referências aos filmes de kung-fu e skate, participações do Kool Keith e um banjoísta, e toneladas de piadas internas.

Enquanto SPAZZ se tornava popular e Fiesta Grande se tornava um vento anual, bandas de power violence começavam a aparecer em outras partes do país e, por fim, em outras partes do mundo.
Beau Beasley (Insect Warfare): “De todas as bandas da primeira onda do power violence, NO COMMENT é a que teve mais impacto em mim. Eles pegaram todas as coisas que eu amava no D.R.I. e então explodiram isso na velocidade da luz. Das grande quatro bandas são a menos discutida, mas eles sempre serão minha banda favorita. Bem, eles e o CROSSED OUT, é claro. CROSSED OUT é o deus obscuro do power violence.”

SWEATIN' TO THE OLDIES

Se um movimento que na verdade nem era um movimento, e tinha oficialmente somente uma porção de bandas, pode chegar a um fim, então o power violence chegou ao seu fim no final dos anos 90. MAN IS THE BASTARD acabou oficialmente em 1997. O ano seguinte marcou o fim do Fiesta Grande, O último lançamento do selo Slap-A-Ham ("malignat", do OTOPHOBIA), e o último show do SPAZZ. GASP, BLACK ARMY JACKET and inúmeras outras bandas acabaram no mesmo período. O pós-spazz, Chris Dodge estava fazendo música experimetal, colaborando com Dave White no East West Blast Test, e mais recentemente se juntou ao rescém reformulado DESPISE YOU. Eric Wood toca no BASTARD NOISE com o Henry Barnes e Bill Nelson.

* Para visualizar a postagem original deste texto, clique aqui.

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